Cuiabá — Mato Grosso registrou crescimento econômico de 5,8% nos últimos doze meses, o terceiro maior entre os estados brasileiros, segundo levantamento divulgado nesta quarta-feira (24). O resultado é puxado pelo agronegócio, mas ganha força em setores que até pouco tempo tinham peso menor na economia local, como indústria de transformação, energia renovável e serviços de tecnologia.

O avanço aparece também no mercado de trabalho. Nos primeiros oito meses do ano, o estado abriu 41 mil vagas com carteira assinada, o melhor desempenho do Centro-Oeste. Cuiabá, Rondonópolis, Sinop e Sorriso concentram 60% das novas contratações.

Infraestrutura como alavanca

Boa parte do salto vem de obras logísticas concluídas ou em andamento: a duplicação de trechos da BR-163, a expansão do Arco Norte para escoamento de grãos e os novos terminais ferroviários em Rondonópolis. "Cada real investido em rodovia volta em forma de frete mais barato e produto mais competitivo", afirma o economista Rafael Torres, da Fundação Getulio Vargas.

"Mato Grosso deixou de ser só o celeiro do país. Hoje é também plataforma de exportação, de energia e de tecnologia aplicada ao campo."

Rafael Torres, economista
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Indústria e inovação

A produção de etanol de milho é o exemplo mais citado. Em seis anos, o estado saiu de duas para sete usinas e se tornou o maior produtor nacional. A cadeia gera subprodutos como o DDG, usado na ração animal, e atrai empresas de biotecnologia para a região do Médio-Norte.

Startups de Cuiabá e Lucas do Rio Verde captaram R$ 50 milhões em investimentos em 2026, a maior parte em soluções de bioinsumos, monitoramento por satélite e crédito rural digital.

Desafios

Especialistas alertam que o crescimento ainda é concentrado: 15 municípios respondem por 70% do PIB estadual. A qualificação da mão de obra e o saneamento básico, que atinge apenas 45% da população com coleta de esgoto, são apontados como gargalos.

O governo estadual diz que o orçamento de 2027 prevê R$ 2,1 bilhões para saneamento e R$ 600 milhões para educação profissional, com foco nas regiões norte e noroeste.

Colaborou Marcos Silva, de Brasília.